Lycra entra com pedido de recuperação judicial para reestruturar dívida de US$ 1,2 bilhão

A gigante têxtil, que mantém unidade fabril em Paulínia (SP), busca sanear suas contas e manter operações globais através de um plano de reestruturação acelerado.

A The Lycra Company, referência global na fabricação de spandex e tecidos elásticos, protocolou nesta terça-feira (17) um pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos. A medida visa reorganizar uma dívida bilionária que atinge a cifra de US$ 1,2 bilhão, garantindo a sobrevivência da marca que é sinônimo de inovação no vestuário desde 1958.

O Plano de Reestruturação

A estratégia foi desenhada para ser ágil. Com o apoio da maioria dos credores, a expectativa é que o processo seja concluído em até 45 dias. Os principais pontos do acordo incluem:

  • Injeção de Capital: Os credores se comprometeram a aportar US$ 75 milhões em novos financiamentos.
  • Abatimento de Dívidas: O plano prevê a eliminação da maior parte dos US$ 1,5 bilhão em débitos acumulados pela companhia.
  • Continuidade Operacional: A empresa reforçou que o processo não terá impactos negativos sobre clientes, fornecedores ou o quadro de funcionários.

Impacto no Brasil e em Paulínia

Para a região de Paulínia, onde a Lycra mantém uma de suas oito fábricas globais, a notícia traz um tom de cautela, mas também de resiliência. A unidade brasileira e o escritório na capital paulista são peças estratégicas na rede da empresa, que emprega cerca de 2 mil pessoas ao redor do mundo. A companhia reafirmou que as operações seguem em pleno funcionamento, sem interrupções na produção.

“O processo não afetará clientes, fornecedores ou funcionários”, afirmou a companhia em nota oficial.

Histórico e Desafios do Setor

Fundada originalmente como uma divisão da DuPont, a Lycra enfrentou um período turbulento nos últimos anos. Após ser adquirida por grupos chineses em 2019, a empresa viu seu desempenho ser impactado por uma “tempestade perfeita”:

  1. Concorrência: Pressão de produtos genéricos mais baratos.
  2. Custo Brasil e Global: Alta nas matérias-primas e tarifas comerciais nos EUA.
  3. Gestão: Disputas legais com antigos proprietários e a assunção do controle pelos credores em 2022 após inadimplência.

A reestruturação atual é vista pelo mercado como um movimento necessário para que a marca recupere seu fôlego financeiro e continue investindo em inovação e sustentabilidade, pilares essenciais para o futuro da indústria têxtil de alta performance.

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